Soldas Especiais

Existem alguns tipos de soldas nas quais, devido à natureza dos materiais soldados, cuidados especiais devem ser tomados. As principais dificuldades encontradas pelos soldadores da BRANIVA envolvem soldas com materiais como ferro fundido e soldas dissimilares.

O ferro fundido é um tipo de material que apresenta inúmeras dificuldades em sua solda, sendo esta normalmente mais difícil de executar do que a solda de aço carbono ou de aço inox, por exemplo.

O principal fator que causa essa dificuldade é o alto teor de carbono presente no ferro fundido, que usualmente vai de 2% a 4,5%, embora seja ainda maior em alguns casos, podendo chegar a valores ligeiramente superiores a 6%; esse teor de carbono, considerado alto, (o aço-carbono, por exemplo, necessariamente apresenta teores de carbono inferiores a 2,11%) confere à liga uma estrutura molecular que constitui um material muito duro, porém muito pouco flexível, tornando-o quebradiço.

Essas propriedades fazem com que o ferro fundido seja um material extremamente propício a tensões residuais, ou seja, pequenas diferenças de volume na estrutura interna do material, causadas pelo aquecimento e resfriamento rápido de somente parte da peça que ocorrem durante o processo de solda.

Como o ferro fundido é muito propício a essas tensões, e por ser muito pouco flexível, ao invés de meras deformações na sua estrutura, acabam se formando trincas nas soldas e nas áreas próximas.

Quando nossos soldadores precisam realizar soldas em materiais de ferro fundido, é realizado o seguinte procedimento: primeiro o material é aquecido até uma certa temperatura; em seguida, utilizando o método de solda manual a arco elétrico, a solda é realizada por partes, fazendo pequenos cordões de não mais que uma polegada de comprimento; cada cordão, após soldado, é martelado, com a finalidade de aliviar as tensões residuais.

Outra solda difícil de ser realizada é a solda de metais dissimilares: essas são as soldas feitas entre metais de diferentes ligas, por exemplo, soldas de aços carbono com aços inox ou de aço galvanizado com aço não galvanizado.

Elas são suscetíveis a apresentarem diversos problemas, principalmente devido às diferenças nas propriedades dos metais, especialmente quando há diferenças significativas nos coeficientes de dilatação térmica dos materiais, ou seja, quando um material se dilata mais facilmente com o calor do que o outro material; isso causa uma predisposição a trincas, pois durante a solda, ambos os metais se dilatam e se fundem enquanto estão aquecidos e, portanto dilatados; entretanto, uma vez terminada a solda, os metais não recebem mais calor e por isso se resfriam, porém, devido ás diferenças no coeficiente de dilatação, um deles se contrai mais do que o outro, criando grandes tensões residuais que podem originar trincas durante ou depois da solda; além disso, se a solda foi realizada numa peça que trabalha em um ambiente com temperatura oscilante, as variações de temperatura fazem com os materiais soldados se dilatem e contraiam em proporções diferentes, criando tensões residuais ou aumentando ainda mais as tensões já existentes.

Outro problema das soldas dissimilares é a possibilidade de os metais a serem soldados, ao serem derretidos e se misturar na poça de fusão da solda, formarem outra liga metálica indesejada, normalmente uma liga muito mais frágil do que os metais sendo soldados, enfraquecendo assim a solda.

Para evitar estes problemas, todas as soldas entre metais dissimilares feitas na BRANIVA são executadas por procedimento de solda manual a arco elétrico, pois dentre as soldas elétricas possuídas, essa é a que gera menor quantidade de calor, diminuindo assim a dilatação térmica sofrida pelas peças.

Além disso, todas as soldas dissimilares são analisadas caso a caso, e é utilizado sempre o eletrodo mais adequado para soldar os metais em questão, a fim de evitar fraquezas estruturais na solda.

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