Eletroerosão

A eletroerosão, também conhecida como EDM (Electrical Discharge Machinning ou Usinagem por Descarga Elétrica se pensarmos em uma tradução livre), é um processo de usinagem que ocorre através da corrente elétrica e utiliza um eletrodo para usinar a peça. É um processo normalmente utilizado para usinar furos e outras seções internas.

Para que o processo possa ser executado, a peça a ser usinada deve ser de algum material que conduza corrente elétrica. O eletrodo, por sua vez, deve ser fabricado no formato da cavidade que se deseja fazer na peça, por exemplo: se será usinado um furo sextavado numa peça, o eletrodo deve ser um hexágono no tamanho exato desse furo.

 

Como ocorre o processo de eletroerosão

Verificada o material da peça e o formato do eletrodo, é só começar o processo de eletroerosão que funciona da seguinte maneira:

 

  • Primeiramente, a peça e o eletrodo são ligados a um circuito de corrente contínua através de cabos sendo que, normalmente, o eletrodo recebe o cabo com polaridade positiva e a peça recebe o cabo com polaridade negativa.
  • Em seguida os dois são mergulhados em um recipiente cheio de um líquido isolante (que não conduz eletricidade), chamado de dielétrico. O óleo mineral e querosene são exemplos de líquidos utilizados como dielétrico.
  • Uma vez mergulhados no dielétrico, o eletrodo é aproximado da peça até que a distância entre os dois seja extremamente pequena para que, então, seja acionado o fluxo elétrico no circuito.
  • Como a peça e o eletrodo estão muito próximos, depois de acionado o fluxo elétrico no circuito é formada um fagulha de eletricidade que passa pelo dielétrico, fechando o circuito e permitindo a passagem de fluxo elétrico entre a peça e o eletrodo.
  • Essa fagulha superaquece a superfície do material na área da descarga elétrica fundindo o material.
  • Logo após o aparecimento da fagulha, o fluxo elétrico é desligado e o pequeno pedaço de material fundido se desprende da peça. Assim ele se solidifica devido ao fluido dielétrico, que além de isolante atua como fluido de refrigeração para o processo de eletroerosão.

 

Esse processo de acionamento da corrente, descarga elétrica, remoção de uma ínfima seção da peça e desligamento da corrente ocorre em uma fração de segundo, tempo controlado por comandos eletrônicos, em um ciclo que pode se repetir até 200 mil vezes por segundo.

Conforme milhares de fagulhas erodem a peça, o desgaste causado vai lentamente abrindo uma cavidade no formato do eletrodo. E, conforme aumenta a distância entre os dois, o eletrodo é lentamente aproximado da peça, também por comandos eletrônicos, para que o processo siga ininterrupto até que a usinagem seja completada.

 

É importante lembrar que esse processo também causa desgaste ao eletrodo, pois a erosão ocorre simultaneamente no eletrodo e na peça usinada. Entretanto através de calibração cuidadosa e ajustes na máquina, é possível manter taxas de até 99,5% de erosão na peça e 0,5% no eletrodo.

Além disso, a eletroerosão pode usinar peças com diferentes níveis de acabamento. Quanto menor o espaço entre a peça e o eletrodo, menor a rugosidade da superfície, deixando um acabamento superficial melhor. Porém, quanto menor for esse espaçamento, maior será o tempo de usinagem, ou seja, quanto mais fino o acabamento superficial, mais tempo demora a usinagem.

 

Vantagens do processo de usinagem por eletroerosão

O processo de usinagem por eletroerosão apresenta diversas vantagens.

A principal dela é que, por não ser uma usinagem feita com ferramentas de corte, ao contrario dos processos de usinagem convencionais, a dureza da peça usinada não tem nenhuma influência negativa na usinagem. Justamente por isso, o processo de eletroerosão é muito usado para usinar peças de material extremamente duro, como aço ferramenta.

Além disso, como não há forças mecânicas aplicadas sobre o material usinado, é possível usinar peças sem o menor risco de deformação. Outra vantagem é que, devido ao fato da área usinada assumir formato semelhante ao formato do eletrodo, é possível usinar peças com furos irregulares e com superfícies apresentando formas complexas.

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